Exposição Memórias d'Ofícios

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Velhos modos de fazer que os novos tempos esgotaram

 

Os ofícios tradicionais… são os fios da conexão entre a transmissão de saberes hierárquicos e organizados e os grupos sociais que os acolhem. Presentes os tabus e as interdições, o prático e o mágico são inseparáveis, na condução complexa de vetores de comunicação. Técnicas que se aprimoram, cada dia se enlaçam e parecem provir de um mesmo tempo arqueológico: as coisas e sua nomeação, a natureza e seus domínios, os mistérios do conhecimento.
Ora, o mestre de um ofício é sempre um sabedor, é alguém bastante diferenciado que encarna um semideus, um pactuante com o sobrenatural, um detentor de um tipo de liderança, sobretudo por ser aquele que transforma, que inaugura um novo estado cultural. É da sua memória que se projeta a construção do mundo.
Jerusa Pires Ferreira, in "Os Ofícios tradicionais, Cultura é Memória" – Revista USP, S. Paulo, MAR.-MAI.1996.

É desta riqueza primitiva e tradicional que constituem os saberes e fazeres dos artífices populares de outros tempos, que decidimos construir uma exposição sobre os ofícios e artes que já acabaram ou que já alteraram métodos e formas da velha tradição.
Como em outros aspectos, as funções e utilidade do que se fazia estavam intimamente relacionadas com o uso que era necessário nos meios urbanos e rurais para a vivência do quotidiano. Muitas dessas funções e formas de trabalho desapareceram ou alteraram-se profundamente com o progresso e, assim, as técnicas de fabrico de utensílios e peças de uso diário da sociedade tiveram também que evoluir, algumas para o fim.

É este momento de ofício artesanal, de grande valor intrínseco pelo que encerra de invenção, destreza, habilidade e trabalho duro, de lógica ligação à rede social, que queremos retratar como marco de uma época não muito distante no pensamento mas já longínqua no tempo.
Teremos ofícios que pura e simplesmente já não existem e outros que ainda se praticam de forma bastante diferente, outros ainda que quase seguramente vão também acabar em mais ou menos tempo.

A exposição, documental, mostrará imagens de oficiais e objectos, ferramentas e produtos de trabalho de alguns desses ofícios. Teremos representadas 44 profissões de forma gráfica e visual/sonora, como um remanescente de uma série de outras que ficaram por mostrar.
Pretendemos homenagear a memória e o testemunho desses duros artesãos que souberam ser o sustentáculo da prática da vida quotidiana, com o saber que muitos aprenderam por si, servindo as necessidades desses outros duros tempos.

A exposição é co-organizada pela Associação Arquivo de memórias e pela Câmara Municipal de Vila Real, através do Museu da Vila velha, que a acolhe.

 

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