Imprimir esta página

Exposição Memórias d'Ofícios

Publicado em Notícias
Ler 1622 vezes

MemoriasdOficiosWeb Memórias d’Ofícios

Velhos modos de fazer que os novos tempos esgotaram

 

Os ofícios tradicionais… são os fios da conexão entre a transmissão de saberes hierárquicos e organizados e os grupos sociais que os acolhem. Presentes os tabus e as interdições, o prático e o mágico são inseparáveis, na condução complexa de vetores de comunicação. Técnicas que se aprimoram, cada dia se enlaçam e parecem provir de um mesmo tempo arqueológico: as coisas e sua nomeação, a natureza e seus domínios, os mistérios do conhecimento.
Ora, o mestre de um ofício é sempre um sabedor, é alguém bastante diferenciado que encarna um semideus, um pactuante com o sobrenatural, um detentor de um tipo de liderança, sobretudo por ser aquele que transforma, que inaugura um novo estado cultural. É da sua memória que se projeta a construção do mundo.
Jerusa Pires Ferreira, in "Os Ofícios tradicionais, Cultura é Memória" – Revista USP, S. Paulo, MAR.-MAI.1996.

É desta riqueza primitiva e tradicional que constituem os saberes e fazeres dos artífices populares de outros tempos, que decidimos construir uma exposição sobre os ofícios e artes que já acabaram ou que já alteraram métodos e formas da velha tradição.
Como em outros aspectos, as funções e utilidade do que se fazia estavam intimamente relacionadas com o uso que era necessário nos meios urbanos e rurais para a vivência do quotidiano. Muitas dessas funções e formas de trabalho desapareceram ou alteraram-se profundamente com o progresso e, assim, as técnicas de fabrico de utensílios e peças de uso diário da sociedade tiveram também que evoluir, algumas para o fim.

É este momento de ofício artesanal, de grande valor intrínseco pelo que encerra de invenção, destreza, habilidade e trabalho duro, de lógica ligação à rede social, que queremos retratar como marco de uma época não muito distante no pensamento mas já longínqua no tempo.
Teremos ofícios que pura e simplesmente já não existem e outros que ainda se praticam de forma bastante diferente, outros ainda que quase seguramente vão também acabar em mais ou menos tempo.

A exposição, documental, mostrará imagens de oficiais e objectos, ferramentas e produtos de trabalho de alguns desses ofícios. Teremos representadas 44 profissões de forma gráfica e visual/sonora, como um remanescente de uma série de outras que ficaram por mostrar.
Pretendemos homenagear a memória e o testemunho desses duros artesãos que souberam ser o sustentáculo da prática da vida quotidiana, com o saber que muitos aprenderam por si, servindo as necessidades desses outros duros tempos.

A exposição é co-organizada pela Associação Arquivo de memórias e pela Câmara Municipal de Vila Real, através do Museu da Vila velha, que a acolhe.

 

Classifique este item
(0 votos)